Acreditação ONA – Principais passos para alcançá-la

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As instituições hospitalares tem como missão atender os pacientes da forma mais adequada possível. Com isso, existe a necessidade de buscar-se melhoria constante da qualidade na assistência e gestão procurando harmonia entre as áreas médica, tecnológica, administrativa, econômica e assistencial.

Agregar eficiência e eficácia ao processos de gestão é necessário para garantir uma assistência mais humanizada à saúde das pessoas que procuram os hospitais, carentes de cuidado e apoio.

O Ministério da Saúde tem criado programas para incentivar o aprimoramento da assistência hospitalar à população e a melhoria da gestão de hospitais. Dentre os programas criados temos a Acreditação Hospitalar. Então, vamos falar um pouco do que é a Acreditação Hospitalar e como alcançar essa certificação.

O que é?

O Programa de Acreditação Hospitalar é parte importante do esforço para melhorar a qualidade da assistência prestada pelos hospitais brasileiros, o programa é uma necessidade em termos de eficiência e uma obrigação do ponto de vista ético. O Ministério da Saúde vem investindo na conscientização e sensibilização quanto aos níveis de qualidade, sistematização dos mecanismos que certificam a credibilidade do processo de maneira sustentável.

A ONA, Organização Nacional de Acreditação em parceria com o Ministério da Saúde são responsáveis por todo o processo, desde habilitação de empresas que fazem a creditação até a emissão do certificado para o hospital. A missão da ONA é incentivar o setor de saúde para o aprimoramento da gestão de qualidade da assistência, por meio do desenvolvimento de um sistema de acreditação.

A ONA (Organização Nacional de Acreditação) é uma entidade não governamental e sem fins lucrativos que certifica a qualidade de serviços de saúde no Brasil.
A ONA (Organização Nacional de Acreditação) é uma entidade não governamental e sem fins lucrativos que certifica a qualidade de serviços de saúde no Brasil.

A organização hospitalar é um sistema complexo, em que os processos e estruturas estão interligados de tal maneira que o funcionamento de um componente interfere em todo o conjunto e no resultado final. Portanto, não se avalia um setor ou departamento isoladamente. O Processo de Acreditação é um método que consiste em ordenação, racionalização e consenso das organizações prestadoras de serviços hospitalares e principalmente de educação constante dos seus profissionais.

Ou seja, essa avaliação garante ao hospital, laboratório, ambulatórios e aos demais prestadores de serviços de saúde um selo de qualidade e eficiência, demonstrando a preocupação da instituição com o serviço prestado a comunidade.

A Acreditação Hospitalar ONA não é obrigatória e nem uma forma de fiscalização, é simplesmente um programa de educação continuada.  Para realizar a avaliação da qualidade da assistência prestada pelos hospitais é usado um instrumento de avaliação especifico, dando seguridade na avaliação global da instituição.

Contratação de uma Instituição Acreditadora Credenciada (IAC)

O primeiro passo para quem busca a acreditação é entrar em contato com uma das Instituições Acreditadoras Credenciadas, pois elas são responsáveis por conduzir o processo de avaliação e certificação de qualidade através da metodologia da ONA.

A partir disso é marcada uma visita ao hospital, o avaliador líder da IAC entra em contato com a direção do hospital para elaboração do plano de visita e após a aprovação do mesmo,  o hospital deve se preparar para a visita.

Vamos então, saber um pouco mais sobre o que é avaliado e como adquirir essa certificação.

Como conseguir a Acreditação ONA?

A ONA categoriza o hospital em 7 seções, cada seção com sua fundamentação. O que o hospital deve buscar é, que essas seções interajam entre si. Assim a instituição poderá ser avaliada com consistência sistêmica, onde todas as seções têm a mesma importância no processo de avaliação.

A seções de avaliação são:

    1. Liderança e Administração
    1. Serviços Profissionais e Organização da Assistência
    1. Serviço de Atenção ao Paciente/Cliente
    1. Serviços de apoio ao Diagnóstico
    1. Serviços de apoio Técnico e Abastecimento
    1. Serviços de Apoio Administrativo e Infraestrutura
  1. Ensino e Pesquisa

Conforme veremos a seguir, cada seção diz respeito a um setor ou grupo de setores a serem avaliados. Em todas essas seções é ideal que haja organização quanto ao desenvolvimento das tarefas, que os profissionais sejam capacitados e habilitados a exercer de forma efetiva e com excelência suas funções dentro de cada cargo.

Em todas as seções é requerido o registro de todas as ações, serviços prestados, históricos de procedimentos realizados. E também que haja sempre, um plano de melhoria e um sistema de avaliação interna de cada seção.

1. Liderança e Administração

Nessa seção são apresentados os pontos relacionadas ao sistema de governo da organização. Nela estão presentes subseções ligadas aos aspectos de liderança, diretrizes administrativas, planejamento institucional e  relacionamento com o cliente.

Na presente seção busca-se avaliar a Direção, Administração e Garantia de Qualidade.

Liderança e Administração
Liderança e Administração

2. Serviços Profissionais e Organização da Assistência

Esta se dedica ao serviços profissionais que prestam assistência direta ao paciente e sua organização. Também passando pelos serviços de atenção aos clientes, são eles o apoio ao diagnóstico, de apoio técnico, de apoio administrativo e de ensino e pesquisa.

São avaliadas as subseções Corpo Clínico e Enfermagem.

3. Serviços de Atenção ao Paciente/Cliente

Nessa seção a finalidade é agrupar as unidades envolvidas na assistência ao cliente/paciente e realizam serviços assistenciais, que tem contato direto com o cliente, processo ou serviço médico. equipe multiprofissional e interdisciplinar envolvida e seus respectivos processos.

Essa seção abrange Internação, Referência e Contra-Referência, Ambulatório, Emergência, Centro Cirúrgico, Anestesiologia, Obstetria, Neonatologia, Tratamento Intensivo, Hemoterapia; Reabilitação; Medicina Nuclear; e Radioterapia.

Ou seja, tudo que se refere a assistência direta ao paciente.

4. Serviços de apoio ao Diagnóstico

Como o nome da seção já sugestiona, essa seção agrupa todos os envolvidos no diagnostico e apoio ao mesmo. As subseções envolvidas são: Laboratório Clínico, Diagnóstico por Imagem, Métodos Gráficos e Anatomia Patológica.

5. Serviços de apoio Técnico e Abastecimento

São agrupados nessa seção os setores que estão envolvidos nas ações técnicas especializadas que também abrangem o processo de abastecimento, fornecimento, estocagem, produção e/ou serviços.

As subseções são: Arquivo Médico, Controle de Infecções, Estatísticas, Farmácia, Nutrição e Dietética, Central de Processamento de Roupas – Lavanderia, Central de Processamento de Materiais e Esterilização, Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional, e Serviço Social.

6. Serviços de Apoio Administrativo e Infraestrutura

Nessa seção estão encaixados os serviços de apoio a administração e infraestrutura institucional e apoio aos processos da organização (planejamento predial, financeiro, segurança geral, etc.).

Documentação da Planta Física; Estrutura Física; Estrutura Físico-Funcional; Sistema Elétrico; Manutenção Geral, Controle de Resíduos e Potabilidade da Água; e Segurança Geral.

7. Ensino e Pesquisa

Integra as unidades que tenham relação a funções educativas e de pesquisa, de forma que a estrutura seja diagnosticada e treinada de modo funcional, focando na educação permanente para geração de novos conhecimentos e formação de recursos humanos. Estão envolvidos nessa seção Biblioteca/Informação Científica.

Em cada uma das 7 seções as cobranças são feitas em 3 níveis.
Em cada uma das 7 seções as cobranças são feitas em 3 níveis.

Os Níveis e o que é Cobrado

Cada uma das 7 seções, tem subseções divididas em três níveis, dentro de cada nível há uma listagem do que será cobrado, e é a adequação a eles que irá garantir a certificação de Acreditação ONA. É essensial que o hospital ou qualquer outra prestadora de serviços hospitalares atenda a essas exigências, pois o cumprimento delas é que garante a certificação e o selo de Acreditação ONA.

Com isso vamos entrar um pouco mais em cada nível de cobrança, focando em apresentar quais os requisitos de cada um deles, para que assim, você possa se preparar ou mesmo preparar sua equipe para os níveis de exigências. Lembrando que os dados que serão apresentados são baseados no método ONA.

NÍVEL 1

O nível 1 exige o cumprimento de requisitos básicos de qualidade no atendimento prestado ao cliente/paciente. Sendo adaptado às especialidades de cada setor e nos serviços do hospital a ser avaliado. Este deve ter recursos humanos compatíveis a sua complexidade equipe técnica qualificada e é fundamental que o responsável técnico seja habilitado na área no qual atua.

O principio base desse nível é a Segurança, isso inclui:

  • Habilitação dos funcionários – Nesse ponto a exigência gira em torno da formação do corpo de funcionários da instituição, é importante que esses sejam habilitados na área em que atuam dentro da instituição;
  • Atendimento aos requisitos fundamentais de segurança para o cliente nas ações assistenciais e procedimentos médico-sanitários – Atenção a segurança do cliente desde a entrada até a alta;
  • Estrutura básica (recursos) capaz que garanta que coerência na execução das tarefas – É avaliada a estrutura de apoio às tarefas executas.

NÍVEL 2

As exigências do nível 2 abrange todo processo de planejamento referentes à documentação. Nesse ponto entra treinamento, práticas auditoria interna, corpo funcional, controle, estratégias básicas para tomada de decisão clínica e gerencial.

Como princípios desse nível tem-se, além da Segurança já aplicada no nível 1, a Organização.

  • Existência de normas, rotinas e procedimentos documentados, atualizados, disponíveis e aplicados – Se faz necessária a facilidade de acesso à documentação, registros de procedimentos e tarefas.
  • Evidências da introdução e utilização de uma lógica de melhoria de processos nas ações assistenciais e nos procedimentos médicos-sanitários – É importante ter um plano de melhorias ativos, para auxiliar nos processos médicos, demonstrando o engajamento do próprio hospital em otimizar seus processos.
  • Evidências de atuação focalizada no cliente/paciente – Mostrar que toda a melhoria buscada pelo hospital é em prol do paciente, e da qualidade do serviço prestado a quem busca a instituição.

NÍVEL 3

As políticas institucionais de melhoria contínua nos processos que sejam voltados a novas tecnologias, atualização técnico-profissional, estrutura, ações de assistenciais e procedimentos médico-hospitalares. É exigência desse nível que hajam evidências claras do uso da tecnologia da informação em prol da segurança, organização e gestão da qualidade.

O nível 3 assim como o 2, abrange além da Segurança e Organização, também o principio da Gestão de qualidade.

  • Evidências de vários ciclos de melhoria em todas as áreas, atingindo a

organização de modo global e sistêmico – Uma unificação quanto ao ciclo de melhorias buscando controle dos dos processos organizacionais e técnicos;

  • Utilização de sistema de informação institucional consistente, baseado em taxas e indicadores, que permitam análises comparativas com referenciais adequados e a obtenção de informação estatística e sustentação de resultados;
  • Utilização de sistemas de aferição da satisfação dos clientes (internos e externos) e existência de um programa institucional da qualidade e produtividade implantado, com evidências de impacto sistêmico.
A implantação de um software de manutenção, é um passo importante para se alcançar a Acreditação ONA.
A implantação de um software de manutenção, é um passo importante para se alcançar a Acreditação ONA.

O papel de um software de manutenção no processo de Acreditação ONA

Atualmente empresas como a Arkmeds tem garantido a facilitação dos processos de manutenção, abertura de OS (Ordem de Serviço), praticidade quando ao arquivamento da documentação e histórico de equipamentos médico-hospitalares, agilidade, segurança e transparência na automação.

Tudo isso com uma plataforma de automação dos processos de manutenção e calibração de equipamentos médico-hospitalares.

E o que isso tem a ver com a busca pela Acreditação ONA?

É bem simples, vimos anteriormente o que é exigido pelos padrões ONA em cada nível, correto? Pois bem, tanto no nível 1 quanto no 2 e 3, um software de automação dos processos de manutenção seria um adendo a busca pela Acreditação.

No nível 1, como vimos a segurança é o principio base. Um software de automação dos processos de manutenção e calibração garantem que os padrões de reparo e calibragem de cada equipamento seja feito com precisão, evitando erros humanos e evitando desgaste de equipamentos.

Isso gera segurança quanto a eficiência do parque tecnológico e o mais importante, gera segurança para o paciente, que é um dos mais afetados no caso de uma parada ou defeito de equipamento.

Quanto ao nível 2 tem como condição além da segurança, a organização documental, registros de procedimentos e práticas de auditorias. Com um software de automação de manutenção de equipamentos médico-hospitalares há garantia de registros arquivados em nuvem, de fácil acesso, registros de equipamentos e suas fichas vida.

Além disso é uma evidência da preocupação do hospital em melhorar seus processos.

No nível 3 é incluída a exigência de quanto a Gestão de Qualidade, isso inclui principalmente o uso de recursos tecnológico. Nesse ponto o software é um recurso tecnológico, portanto, automaticamente a implantação de uma plataforma dessas já cumpriria uma das exigências desse nível.

Ou seja, com a implantação de um software de automação de manutenção de equipamentos médico-hospitalares você já tem grande chances de conseguir a Acreditação ONA, visto os benefícios trazidos pela plataforma aos processos e consequentemente, a qualidade do serviço prestado.

Quer saber mais como software de automação de manutenção de equipamentos médico-hospitalares pode impactar positivamente no hospital? Saiba mais no Caso de Sucesso do Hospital Arnaldo Gavazza.

Espero que o conteúdo tenha ajudado a perceber a importância e as exigências para se alcançar a Acreditação Hospitalar ONA.

Alguma dúvida ou sugestão? Comente.
FONTE: ONA

Ricardo Miranda

Ricardo Miranda

Graduado em Engenharia Elétrica pela UNI-BH, Pós em Engenharia Clínica pelo Inatel, com mais de 20 anos de experiência em Engenharia Clínica, atuou como Engenheiro Clínico no Hospital BioCor e é sócio proprietário de uma empresa de manutenção e calibração hospitalar a Surgical Tecnologia.
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7 anos atrás

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Mário Cerqueira de Carvalho
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5 anos atrás

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