5 motivos para se adotar os processos de rastreabilidade da CME

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A Central de Material e Esterilização (CME) tem como missão abastecer os serviços assistenciais com materiais processados, mantendo a quantidade e qualidade necessária para uma assistência segura.  Para um melhor entendimento da Central de Material e Esterilização recomendo a leitura do artigo “Central de Materiais Esterilizados e suas 5 principais atividades”.

Com os avanços tecnológicos e o desenvolvimento das técnicas cirúrgicas, os instrumentais cirúrgicos tornaram mais sofisticados e complexos, surgindo assim a  necessidade do aprimoramento das técnicas de tratamento dos materiais e garantir a rastreabilidade dos mesmos.

Rastreabilidade

A rastreabilidade é a habilidade de traçar o histórico do processamento do produto para saúde e da sua utilização através de informações previamente registradas.

Uma das formas de garantir a rastreabilidade é através da realização de registos. As etapas do processamento dos produtos para a saúde (instrumentais cirúrgicos) devem estar documentados e registrados, para garantir a reprodutibilidade e a rastreabilidade dos processos, contendo os registros de entrada e saída de todos os produtos processados na CME.

A rastreabilidade dos produtos para saúde exigem determinadas informações que devem estar mencionadas nestes registros, como sendo: a data, o nome do instrumental, a quantidade, o número do lote/série e o destinatário a designar.

Os registros das etapas do processamento dos produtos devem ser arquivados, de forma a manter a sua rastreabilidade por um prazo mínimo de 5 (cinco) anos, para efeitos de inspeção sanitária.

Os funcionários da CME devem registar todos os dados relativos à sua distribuição e utilização de modo a facilitar a rastreabilidade, contribuindo para uma maior segurança do utilizador e do profissional.

A rastreabilidade no setor da CME controla, rastreia e gera informações para o serviço com maior precisão, reduzindo os riscos. Os materiais podem receber etiquetas com código de barras que permitem o lançamento no sistema desde a entrada no setor até o armazenamento para futura utilização.

A identificação por RFID “Radio-Frequency IDentification” é uma das atuais tecnologia utilizada em processos de rastreabilidade. É um sistema sem fio que utiliza ondas de rádio para atribuir identidade (sob forma de um código) a uma etiqueta eletrônica. As etiquetas eletrônicas (tags) armazenam mais informações que os códigos de barras, e os dados transmitidos pela etiqueta eletrônica podem fornecer identificação da peça ou equipamento, ou informações específicas do equipamento. A solução para rastreabilidade do equipamentos, permite maior organização do fluxo de materiais, diminuindo o tempo de procura dos instrumentos e evitando perdas.

Benefícios de adotar a rastreabilidade automatizada

Em uma CME com sistema de informação automatizada deve conter um sistema de rastreabilidade com código de barras ou o QR Code. Com isso, os profissionais que trabalham na CME podem acompanhar a movimentação dos materiais durante o ciclo de processamento e o registro do produto para saúde. Abaixo alguns benefícios que um sistema de rastreabilidade pode oferecer.

1. Rastreamento Rápido

O rastreamento dos produtos para saúde facilita no controle do inventário de material esterilizável em toda sua cadeia de utilização e facilita a identificação de setores ou equipes causadoras de perdas ou danos dos materiais.

2. Redução das perdas de instrumentais

O responsável da equipe pode manter a rastreabilidade dos instrumentais, realizando um checklist dos itens recebidos, reduzindo assim a perda de materiais.

3. Produção de relatórios

O registro dos materiais e das etapas do processamento na CME, podem gerar uma variedade de relatórios que auxiliam no gerenciamento dos instrumentais.

4. Identificação do lote processado

Na CME, todos os materiais para saúde deve ser documentado de forma a garantir a rastreabilidade de cada lote processado. Com isso, há a necessidade da identificação de cada lote.  

Todos os materiais devem ser registrados com o número de lote, o código que equivale ao tipo de processamento, os equipamentos utilizados e o funcionário que executou, permitindo assim a rastreabilidade do material, a data do processo, os parâmetros do equipamento e o resultado dos testes.

5. Segurança

Com um sistema de gerenciamento na CME é possível garantir a segurança das informações de todo o processo por meio da rastreabilidade dos itens. 

Estudo de Caso

No início deste ano a notícia da reutilização de materiais descartáveis repercutiu em todo o Brasil com muitos questionamentos com relação a segurança do paciente e a rastreabilidade desses materiais.

Estão sendo investigados planos de saúde e algumas empresas que são suspeitas de fornecer materiais descartáveis usados aos hospitais. Segundo o noticiário, os suspeitos repassavam produtos usados como sendo novos, para os hospitais. Confira a matéria publicada na íntegra.

A reutilização de materiais descartáveis rotulados pelo fabricante como de “uso único” por meio de reprocessamento tem sido uma prática muito utilizada no Brasil e no mundo.

Os possíveis riscos na reutilização dos materiais descartáveis é uma infecção por vírus, por hepatite, entre outras. Este dano pode ser causado à saúde do paciente hoje ou daqui 10 anos.

A ausência de rastreabilidade dos materiais que entram e saem do hospital por empresas terceiras pode provocar grandes problemas para a saúde do paciente.

Considerações Finais

A rastreabilidade dos materiais respalda a instituição hospitalar de que todos os parâmetros do processamento de materiais (limpeza, desinfecção, preparo e esterilização) foram respeitadas de acordo com as normatizações preestabelecidas.

Além disso, auxilia nas estatísticas de consumo e controle de estoque das unidades, evitando faltas ou solicitações desnecessárias.  A ausência do controle de material na CME pode favorecer estoque de materiais pouco utilizados com consequente perda de prazo e validade.

Por fim, manter a rastreabilidade dentro da CME é de grande relevância na segurança do paciente e de grande interesse para a saúde pública, visto que toda e qualquer intervenção cirúrgica apresenta um risco inerente. Sendo assim, é de suma importância o conhecimento técnico-científico para que se proporcione uma assistência adequada ao paciente.

Pode ser interessante saber um pouco mais sobre CME e, por isso, recomendo a leitura do post escrito pela Arkmeds sobre “Central de Material e Esterilização: 5 coisas que você precisa saber”. 

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Tem alguma dúvida sobre meu artigo? Deixe um comentário e iremos te ajudar!

Veronica Lima

Veronica Lima

Veronica Lima é Engenheira Biomédica e especialista em Engenharia Clínica. É estudante de mestrado em Engenharia Biomédica pela Universidade Federal de Uberlândia. Atuou como estagiária no Hospital de Clínicas da UFU em Uberlândia, tendo como principais atividades as manutenções preventivas e corretivas dos equipamentos médico-hospitalares. É apaixonada por Engenharia Clínica, tecnologias e metrologia e, acredita que o uso da tecnologia e de uma boa gestão no setor da saúde proporcione uma maior segurança aos pacientes.
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Ana
Ana
6 anos atrás

Bom dia, qual é a sugestão para implantação do sistema automatizado da rastreabilidade?

karine amaral
karine amaral
Reply to  Veronica Lima
3 anos atrás

Boa Tarde Verônica

Sou Karine enfermeira da Central de materiais e esterilização UFU, gostei muito do seu artigo.
Fui uma das responsáveis pela implantação do sistema de rastreabilidade na CME do HC de Uberlândia, gostaria de sua contribuição para um projeto que estou desenvolvendo.
Contato: karineasf23@gmail.com

Enes
Enes
5 anos atrás

Bom dia. Estou adorando os artigos. Mais tenho ainda umas dúvidas no setor de CMS, quais os produtos utilizados para cada tipo de produto, (nome específico), na limpeza química e quais as validades de cada tipo de embalagem.

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